segunda-feira, 28 de abril de 2014

Outros gays na família



Não sei como deve ser isso, porque não tenho outros gays na família. Tenho apenas conhecido, mas pelo que vejo na internet e TV, vou explanar minha opinião. 


Acredito que deve ser muito benéfico, principalmente pela troca de experiências que podemos ter. O ideal é que ambos ou sejam assumidos ou estejam no armário, assim podem trocar opiniões e dúvidas, fazendo com que os dois se compreendam e entendam as posições um do outro. Se os dois estiverem no armário, eles podem até não conversar diretamente sobre o assunto, mas uma boa conversa certamente poderia ajudar bastante nessa busca pela aceitação. 


Mas isso pode ser prejudicial se por acaso os dois estiverem em situações diferentes, um assumido e um no armario por exemplo. O que é assumido tem que ser um pessoa muito gente boa para aceitar a condição do outro e apoiá-lo nessa decisão. Julgamentos ou criticas devem ser evitados ao máximo, para que não seja traumatizante para nenhum dos lados. Geralmente os assmidos gostam de fazer piadinhas com a sexualidade dos outros, para alguém que encontra-se no armário pode ser algo que o incomode, se esse for o caso é melhor evitar ou ter uma conversa franca sobre isso com o gay assumido.


Tudo pode ser muito relativo dependendo do ambiente, das pessoas e dos hábitos do local. Se você tem um irmão gay, pode ser muito traumático ter que conviver os dois juntos sem brigas, assim pode ocorrer muitas discussões e xingamentos por falta de compreensão um do outro, isso já é normal entre heteros, imagino como deve ser com gays. Mas se por acaso você tiver um primo gay pode ser bem mais fácil de dialogar, não se tem tanta intimidade e acaba sendo mais fácil um compreender o outro. Melhor ainda se forem de regiões diferentes, acho muito interessante conhecer como vivem outros gays em outros estados. Fico me imaginando como deve ser diferente conviver com um gay do norte ou nordeste, por exemplo (moro no sul). Não tenho nenhum contato nesses lugares, mas deve ser bem legal saber quais as dificuldades e facilidades de conviver em suas respectivas regiões. 


Para a familia aceitar 2 gays na família deve ser um desafio, principalmente se for familia conservadora. Mas pode ser um facilitador para você se aceitar, o outro gay pode ser um porto seguro pra voce. Se houver um bom dialogo pode ser uma experiência bem agradável.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Desejo é algo incontrolável



Uma das primeiras coisas que minha psicóloga me falou quando fui ao seu consultório foi que não temos controle de nosso desejo. Não adianta eu chegar no psicólogo pedindo ajuda para me curar da homossexualidade, eles não tem capacidade de controlar nosso desejo. Desejo é algo que vem de dentro, é incontrolável. 


Achei bem interessante essa interpretação. É muito comum ver anúncios de igrejas falando que fulano se curou da homossexualidade. Um completo descabimento, o desejo continua latente dentro dele, talvez ele esteja reprimindo esse desejo, mas não é algo que é saudável pra ele. Reprimir sentimentos nunca é saudável, que dirá o desejo. 


Não significa que você adquiriu esse desejo ao longo da vida e sim que você já nasceu com isso. Não tem como mudar, é biológico. É igual alguém que nasceu canhoto querer virar destro, será que consegue? Pode até virar ambidestro mas nunca deixará de ser canhoto, é algo biológico, que não muda. 


Podemos comparar a diversos tipos de taras que os heteros tem e podemos ver que é algo incontrolável. Tem gente que tem tara por pés, tem outros que tem taras por orgias, outros gostam de travestis, e inúmeras outras taras. É algo incontrolável, você não escolhe se quer ou não, simplesmente o desejo vem. Se você quiser você pode reprimir, mas não estará tirando ele de você. Você só está engando a si mesmo.


Que fique bem claro que a homossexualidade não é algo que podemos escolher, está restrita apenas à nossa sexualidade, e diz respeito principalmente ao desejo sexual. A única coisa que nos diferencia dos heteros é isso. Nossos sentimentos são os mesmos, nossos hábitos podem ser os mesmos, tudo pode ser igual, o que muda é apenas o nosso desejo sexual, apenas um aspecto intimo e pessoal.


Antes de pensarmos que estamos errados, devemos entender e aceitar que não optamos por isso, viemos ao mundo nessa condição, não devemos tentar ser heteros por causa da sociedade, se fizermos isso estaremos indo contra o nosso desejo e isso pode ser muito mais prejudicial do que benéfico. Isso não significa que precisamos nos assumir para o mundo, somente que não podemos mudar nossa condição, o desejo é incontrolável, antes de tudo precisamos nos aceitar.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Contato pessoal com outros gays no armário



A internet é um grande aliado aos gays que ainda não se assumiram, na internet podemos ser o que quisermos. Mas não podemos viver apenas no mundo virtual, temos que vivenciar e trocar experiências também pessoalmente. Para isso é claro que podemos usar da internet. Podemos conhecer pessoas e depois nos encontrarmos na vida real, isso ocasiona uma troca de experiências interessantes que poderão ser muito mais benéficas do que se ficassem somente no virtual.


Não adianta tentarmos nos esconder do mundo, temos que criar relações com outras pessoas, sejam elas heteros ou gays. Muitas vezes uma conversa com alguém que vivencia problemas parecidos com os nossos nos faz ver que não estamos sozinhos, essas conversas trazem um novo olhar sobre tudo que passamos e tudo que poderemos passar. É de se imaginar que cada pessoa tem caracteristicas próprias e convive em ambientes sociais bem distintos, mas muitas coisas podem ser bem parecidas, mesmo em situações completamente diferentes. Querem um exemplo? Se você não se assume perante a sua familia, mas na faculdade todo mundo tem essa percepção de que você é gay, pode trocar experiências com alguém que a família percebe e o aceita, mas na faculdade ninguém desconfia. São situações diferentes, mas que uma boa conversa entre os 2 protagonistas dessa história pode ser benéfico pra todos. 


Além disso, existem diversos grupos de apoio aos homossexuais. Geralmente são feitos em escritórios de psicologia, onde os profissionais dão conselhos e ajudam os gays a formarem outras amizades com gays e trocarem experiências, tudo com a ajuda de profissionais especializados no assunto, que ajudam tirando dúvidas e dando dicas. Acho que muita valia esses grupos apesar de nunca ter participado. Muitas vezes não convivemos com outros gays por medo de que eles espalhem nossa sexualidade para o mundo, mas nesses grupos deve haver um bom aconselhamento quanto a isso. 


A experiência virtual, por mais próxima que possa parecer da realidade, com videoconferencias e tudo mais, mas nunca terá os mesmos efeitos do contato pessoal. Nunca sabemos se a pessoa que está atrás do computador estará nos enganando ou falando a verdade. No contato pessoal é bem diferente, podemos ver expressões e gestos que pela internet é dificil captar de forma a descobrir se está falando a verdade ou mentindo. Por isso, o melhor mesmo é buscar pessoas "de verdade" para nos ajudar. Alguém aí precisa de ajuda? Que tal trocarmos contato nos comentários?

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A internet como refúgio



A internet está aí para nos ajudar, sabendo usá-la da melhor forma com certeza poderá ser um grande alento para desabafos. Pode ser através de blogs, chats, redes sociais ou diversas outras formas. 


Escolhi criar esse blog justamente para expor opiniões e poder desabafar coisas que pessoalmente não tenho a quem me socorrer. Geralmente quem está no armário prefere desabafar na internet, um local onde temos possibilidade de falar coisas, mesmo que sob anonimato, com o risco de ser criticado ou julgado, mas evitando o enfrentamento na "vida real". 


Nos chats a coisa é mais complicada. Até pode ser que dê certo de você achar alguém bacana, mas na maioria das vezes que busca o chat geralmente quer só sexo. Não querem saber do que você está sentindo, querem mais saber qual o tamanhos dos seus órgãos sexuais ou posições preferidas na cama e não passa disso. Pode até ser que você encontre alguém para desabafar ali, mas não é na sala especifica para gays. Infelizmente pra isso tem que ser bem seletivo, para não se arrepender depois.


As redes sociais também pode ser um refúgio. Mas para quem está no armário a solução é fazer isso através de fakes, ou se quiser pode até aproveitar e se assumir e encarar com o seu perfil real, mas aí é uma opinião bem pessoal. Os fakes abrem a possibilidade de falar coisas que pessoalmente você não teria coragem ou não tem a quem dizer. Nas redes sociais você poderá encontrar pessoas reais com pensamentos parecidos e pode fazer grandes amizades. 


Independente de qual plataforma seja usada, há que se ter um cuidado para não conhecer e se apegar com pessoas erradas. Há casos de pessoas que cometem suicidio por falarem ou fazerem mais do que deviam e depois sofrerem chantagem. Claro que você pode fazer sexo virtual, mas pense bem com quem você faz isso, tome cuidado para que não sofra com chantagem tanto financeira mas principalmente emocional. Lembre-se que muita gente usa de nossa fragilidade por conta da carencia para depois nos pressionar e tornar nossa vida um inferno. Na internet é melhor só desabafar mesmo, sexo é bom na vida real, então, melhor conhecer a pessoa primeiro, e pensar bem antes de tomar qualquer decisão. A internet é uma terra de ninguém e não sabemos quem está por trás do outro computador.  

segunda-feira, 31 de março de 2014

Se assumiu? Pague o preço

Antes de se assumir é bom pensar muito bem, depois não tem como voltar atrás. É uma decisão pra vida inteira, não tem como se arrepender. Ela impactará tanto sua vida pessoal, quanto profissional, por isso há que se ter um certo receio para não se equivocar e perder amizades com isso. Pode ser bem traumático, por isso é bom tomar cuidado.

Para algumas pessoas essa decisão pode nem ter grande impacto na sua vida. Se você já vive num ambiente em que você é bem aceito e você percebe que isso não mudará a opinião das pessoas sobre você, se achar que é algo que os outros precisam realmente sabe vá em frente. Certamente a sua escolha poderá ter um impacto nas novas amizades, mas isso pode ser facilmente contornável.

Já se você conhece bem o seu ambiente de trabalho, ambiente de estudos e ambiente familiar e sabe que as pessaos mudarão de comportamento ao saberem que você é gy, é melhor tomar cuidado. A maioria das pessoas infelizmente não está preparado para isso, principalmente as pessoas mais idosas. Com os amigos a coisa é mais fácil de contornar, mas com os familiares e cas de trabalho há que se ter um cuidado maior. Nossa sociedade ainda é muito conservadora, e quaisquer diferenças podem virar motivo para ser descriminado.

Para que ocorra de uma forma bem tranquila, há que se ter cuidado para não chocar as pessoas e mudar totalmente de comportamento, para não soar como falsidade. Seu caráter e sua personalidade independem disso. Você não vai ser outra pessoa, apenas vai escancarar uma característica pessoal intima sua, que não necessita ser exposta se você não quiser. Façamos uma comparação com os sadomasoquistas, eles não precisam sair por ai contando pra todo mundo o que eles gostam de fazer na cama.

Antes de tomar tal decisão é bom fazer diversas perguntas: Os meus amigos/familiares/colegas de trabalho poderão mudar de comportamento comigo? Poderei ter que sair de casa/trabalho/faculdade por não aguentar a pressão? Estou preparado psicologicamente para lidar com o preconceito? Acho necessário sair expondo minha vida sexual para os outros? Estou preparado para criticas e julgamentos de pessoas desconhecidas? Se assumir vai mudar minha vida? Vou ser mais feliz me assumindo?

Depois de refletir sobre essas perguntas, fique a vontade para tomar sua decisão e arcar com as consequências.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Religião e homossexualidade

Esse assunto é bem complicado de ser discutido. Alguns poderão achar que estou generalizando ou sendo parcial para algum tipo de religião, mas são apenas opiniões pessoais que pretendo externar de modo que outras pessoas possam ler e se identificar ou não. Não é uma verdade absoluta, é apenas um desabafo que infelizmente é baseado na realidade que presenciamos, infelizmente não é algo que eu criei, só quem passa por isso sabe me dizer se é verdade ou não. Pra quem critica, se ponha no lugar do criticado e perceberá a diferença disso.

A religião católica apesar de ser discriminadora, tem tido grandes avanços na busca pela diminuição do ódio e da homofobia, principalmente pelos discursos contra o preconceito proferidas pelo Papa Francisco. Ser contra não significa que você precise odiar quem faz algo que você não concorda, é a mesma coisa que numa discussão, só porque a pessoa é diferente de você não significa que você precisa odiá-lo, mas deve sim respeitá-lo. O nome disso é tolerância.

Já com os evangélicos pode a convivência pode se tornar um pouco mais difícil. O fanatismo religioso nessas religiões chega ao ponto de fazer uma lavagem cerebral nas pessoas, fazendo com que vejam o mundo apenas sob a ótica de sua autoridade religiosa. Fanatismo nunca é saudável, você acaba perdendo a chance conhecer outros pontos de vista por estar alienado a um pensamento dominante.

Não é poque nossa sexualidade é diferente que não podemos ir à missa ou ao culto, mas na maioria das vezes somos julgados como pecadores e dificilmente nos tratarão normalmente. Não são todos que nos tratam assim, mas a maioria sim. Aos poucos as pessoas estão percebendo que nossa condição não tem nada a ver com opção, que somos todos iguas, que a nossa fé independe de cor, sexo, condição social.

Devemos sim estimular que mais pessoas busquem a fé. Não é porque somos contra um dogma religioso que não podemos acreditar em Deus, cada um de nós somos seres humanos igualmente como os héteros, temos sentimentos, temos família, temos amigos. Não significa que todos os gays são ateus, e nem que os que são ateus também são pecadores. O pecado é algo muito subjetivo, são tantas as religiões que fica dificil interpretar e dizer qual está correta.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nasci assim e não vou mudar...

Cura gay é o maior absurdo que já surgiu no Congresso Nacional. Há tanta busca por chamar a atenção e ganhar os holofotes da mídia que acaba-se pensando mais na popularidade que o projeto irá atrair do que os efeitos que irá causar.

Pra começar vivemos em um estado laico. Não podemos usar de influências políticas para generalizar nossas vontades, cada um é livre para pensar do jeito que quiser e arcar com as consequências de suas escolhas (opiniões). Ser a favor ou contra é uma questão bem particular, mas respeitar não depende de opinião, depende de caráter, uma pessoa que conheça essa palavra, independente de qual religião siga ela não nos odiará, como pretendem alguns pastores.

Ser gay não é uma escolha, nascemos assim. Se tivéssemos que escolher obviamente preferiríamos nascer héteros e não ter que sofrer esse preconceito de gente ignorante. Muitas vezes essas pessoas ignorantes não tiveram um bom conhecimento de nossa condição e foram alienadas com palavras por pessoas que usam da fé das pessoas para ganhar suas confianças e depois tirarem proveito disso.

Não somos só os gays que sofremos essa perseguição por algo que independe de nossas vontades. Os negros também por muito tempo sofrem e ainda sofrem, mas de uma forma gradativa foi diminuindo seu preconceito e hoje já é quase insignificante. Para isso foram criadas políticas públicas eficientes para que isso ocorre-se, sem rancores, sem ódio, de uma forma natural. No caso dos gays parece que querem forçar uma guerra, estimulando o ódio contra nós. Generalizam tudo e explicitam como se todos fossemos imorais. Imoralidade é o que eles fazem com as pessoas que os escutam e aceitam suas opiniões como verdadeiras sem ao menos questionar. Formadores de opinião deveriam ser exemplos para nós, disseminando suas opiniões sem impor que nós aceitássemos, mas infelizmente não é isso que acontece.

A solução para tudo isso é o respeito. Antes tentar nos curar, procure conhecer o significado da palavra respeito, certamente fará a diferença na nossa busca pela igualdade que a Constituição nos garante.